journal
Recent Entries 

Advertisement

Customize
28th-Nov-2008 04:01 pm - EAE
Como agora vou falar mais sobre isso, acho que convém uma introdução. (ou reintrodução, que já falei disso mais vezes.. :x)

Ora portanto, no final do sexto ano (por esta altura do ano que vem), vou ter que fazer um exame, que é o exame de acesso à especialidade. Quem lê a farruskita já se apercebeu de algumas coisas. Do exame já falo mais, mas continuando, depois disso, e de acordo com a minha nota da faculdade, escolho um hospital para fazer o ano comum – em que tenho basicamente os mesmos estágios que no sexto ano, mas já recebo (ah pois!), já sou médica e não estou a ser avaliada – é mesmo para ganharmos prática clínica. No final do ano comum, escolherei a especialidade – de acordo com a nota do exame de acesso à especialidade (e a nota da faculdade é para desempates). Assim, a nota mais alta escolhe primeiro, de acordo com as vagas desse ano: e escolhe uma especialidade num determinado serviço, num determinado hospital. Ou seja, para além da nota do exame, interessa também as vagas desse ano. As deste ano, por exemplo, saíram a semana passada, e houve muitas queixas, um predomínio a norte, muitas especialidades que abrem sempre imensas vagas, este ano quase não abriram, ou abriram quase só a norte, enfim. Habitualmente há para aí 1200 ou assim a escolher cada ano, e há especialidades que podem até nem abrir vaga, ou abrir duas ou três a nível nacional. A grande maioria de qualquer modo abre umas 10 a 20 – depois há as mais gerais que abrem sempre imensas vagas (clínica geral, medicina interna, cirurgia geral). E portanto, para além do mapa de vagas, para além da nota, também precisamos que o resto das 1000 pessoas não tenha um gosto estranho pela mesma especialidade que nós. Depois há claro quem escolha a especialidade independentemente do sítio do pais, outros que querem ficar numa zona independentemente da especialidade, outros que escolhem mais é o hospital, enfim.
Quanto ao exame em si, tem 100 perguntas de escolha multipla, sendo 20 de cada um dos temas: aparelho circulatório, hematologia, pneumologia, gastroenterologia e nefrologia, sendo dado como referencia bibliográfica um livro (o harrison). Ou seja, não há capítulos específicos, há temas – portanto se na página tal falar de coisa tal do tema que eles querem, é legitimo perguntar, embora obviamente ninguém vá ler o livro todo à procura dessas determinadas páginas! Para além disso, não sendo dados temas, a escolha do que estudar pode variar um pouco. E estudando todas os capítulos que estão relacionados com os temas, o que se vê muitas vezes é que acabam por se contradizer a si próprios.
Eu tenho ali 1001 páginas (mesmo!), e acho que ainda vou imprimir (já que não há na reprografia) mais dois capítulos que me parecem adequados. Portanto, dessas 1001 páginas, podem perguntar qualquer coisa, inclusive dados de um gráfico ou coisas assim. E obviamente, sendo tantos temas e tão extensos, e não havendo uma matéria especifica é muito complicado conseguirmo-nos lembrar de todas (lol) as coisas. Claro que depois há temas mais perguntados – mas por exemplo este ano perguntaram coisas que não perguntavam há quase dez anos. E nos outros anos tem havido muita confusão porque há sempre perguntas repetidas, muitas vezes até perguntas erradas que tinham sido anuladas em anos anteriores… Este ano mudou o júri, portanto essa parte parece ter melhorado.
Para além disso tudo, a escolha múltipla é horrível – e só pode gostar ou quem não tem prática ou quem tem uma capacidade extraordinária. Obviamente que após tantos meses e tanta matéria, uma pessoa chega ao dia cansada, e ansiosa. Começa a ler e tudo fica confuso. E depois em muitas perguntas não é escolha a certa ou escolha a errada, e sim ‘escolha a mais correcta’. Ou seja, acaba por não ser inteiramente objectivo, e para além disso temos que nós lembrar de todas as opções para podermos analisar de entre todas aquela que é mais vezes correcta, ou o que está mais correcta ou tem menos coisas a faltarem, etc. grande treta, hein? Para além disso se nos lembramos de ver duas coisas que se contradizem, então…!
Obviamente, para tanta matéria, o estudo tem que começar muito antes, e tem que se rever as coisas algumas vezes. O estudo deve portanto começar cedo. Algumas pessoas já começaram a estudar para o ano. Eu estou a pensar começar em Dezembro – já ando a organizar a vida e a despachar as coisas deste estágio para o conseguir, se for agrupando assim, pode ser que mesmo em tempo de aulas dê para estudar decentemente (sim, porque se tiver mais estágios como cirurgia, não há mesmo hipótese!). Claro que depois quando as ‘férias’ chegarem é que vou ter tempo para me concentrar efectivamente.
Sendo tanta coisa, mas tantos detalhes, obviamente daqui a um ano não me vou lembrar do que estou a ver agora. O geral há-de ir ficando, mas os detalhes que são o perguntado em exame, só aqueles que vir na véspera (vá, um mês antes), é que têm hipóteses de serem lembrados. Considero então que até lá é para ir sabendo o geral, mas essencialmente para preparar as coisas para uma revisão eficaz. Para isso acho que tem que ser um estudo muito organizado e bem definido! O que não é o meu habitual :P mas acho que é fundamental preparar o terreno. Não tenho grandes ilusões acerca do que o estudo vai ser, sei que vou reler milhentas vezes o mesmo sem me lembrar que já o li, e sei que na altura que importa já vou estar demasiado estafada para me lembrar de alguma coisa, e para me conseguir concentrar (e sei o meu limite, e sei que com tantos bancos e trabalhos e sei lá mais o quê, se torna muito complicado).
Quero então ter um plano, quero fazer as contas para poder ir descansando também.

Agora já peguei nas coisas, estive a ver o que tenho e o que não tenho, fiz umas tabelas em Word com todos os capítulos que tenho, a ordem pela qual os tenho, e com espaço para preencher com o número de perguntas feitas em anos anteriores, etc. Basicamente para me organizar e ir preparando terreno.

E pronto, a partir de agora, devo ir falando um pouco mais sobre isto ;) já sabem do que falo quando falo do exame :P
14th-Sep-2008 06:09 pm(no subject)
ano novo, vida nova

mesmo que não escreva muito, maioritariamente por falta de tempo, acho que por enquanto quero manter o lj. este ano serão também menos estágios, todos com quatro ou mais semanas, portanto acho que conseguirei mais facilmente ir escrevendo, mesmo que pequenas coisas. para além disso, quando estiver a estudar para o exame de acesso, poder-me-á servir como um guia / diário ou cena assim :o não sei. mas logo se vê. por enquanto, continuo aqui. com um layout um pouco menos funcional, mas tão bonito e gay :') <3
19th-Apr-2008 12:10 am - ...
a verdade é que fiquei muito entusiasmada com este estágio. o que refreou o entusiasmo, foi, em parte, aquilo que disse há dois posts. que tinha percebido pela conversa, que três dos doentes da enfermaria, estavam prestes a morrer.

num dos dias, chegamos, vamos ver o sr L e depois vamos a uma reunião. quando voltamos, a J. diz-me para irmos ver o senhor da cama ao lado. eu já tinha visto, tinha umas metastases hepáticas gigantescas, palpava-se muito bem! ora, a J. também queria ver. como a s. estava sem grupo, dissemos-lhe para ir também. chegamos lá, e as cortinas estão fechadas. achamos que as enfermeiras podiam estar a dar banho ou assim. então, primeiro eu, depois a j., metemos a cabeça dentro das cortinas. vemos o senhor sem oxigénio, deitado horizontalmente (e não elevado)... e sem olharmos uma para a outra, saimos da sala num instante - deixando a s. a perguntar inocentemente ao terceiro senhor da enfermaria se estava ali (dentro das cortinas) alguém- ao que o sr, ainda mais inocentemente (já que o senhor nunca se queixou, não era daqueles que gemia nem nada) diz que não sabe, 'o senhor não fala'. enfim, cá fora, eu e a j. olhamos uma para outra.. 'ele estava morto não estava?'. no segundo momento do dia, a j. chega-se ao pé do do sexto ano 'olha.. nós achamos que o senhor da cama 32.. está morto!'. 'sim, pois, claro que está', diz ele com um ar de 'obvious'. lá lhe dissemos que uma hora antes, antes da reunião o senhor ainda estava vivo, daí o nosso espanto. depois tivemos que ouvir a s. a refilar 'vocês levaram-me a ver o fígado de um homem morto?!!!'. a história ao vivo foi muito surreal!!


entretanto, já nesta semana, numa discussão dos doentes, estavam a falar de um doente que já lá está há uns tempos, e que estava francamente pior, e não sabiam o que haviam de fazer - ou se haviam de parar a medicação, já que não havia mesmo tratamentos disponíveis. no entanto, a médica diz que já lutaram tanto ( o senhor já lá estava há dois meses), e que ainda não estava pronta para desistir. nessa noite o doente morre.

no dia seguinte, ficamos com um doente já conhecido. em estado terminal, tinha ido a casa uns dias, para bom, basicamente ir antes do final, já que no hospital não havia nada que pudessem fazer. em casa piorou, foi internado, e fomos nós vê-lo. nós ainda fizemos um plano (muito simples, como dar soro para a desidratação, oxigénio porque estava com pouca saturação, etc). depois tivemos a falar com ela. porque o doente estava em cuidados paliativos. ou seja, só proporcionar conforto, sedação e analgesia, e nada mais. enfim, tivemos um pouco a conversar, e foi daqueles momentos de acender uma luz. porque até a nos nos custou dizer que não, que não era para tratar. que era para desistir. acho que foi a primeira vez que percebi efectivamente o quão dificil é decidir quando enough é enough, e aquele momento em que em vez de ajudarmos o doente, já só lhe estamos a prolongar o sofrimento... o outro lado da medicina, saber quando não tratar. e aí está, até a mim custou, quanto mais aos verdadeiros médicos, que passaram horas a ver o doente, a pensar no melhor para ele. e que de repente têm que pôr tudo de lado e saber let go.
20th-Apr-2007 11:44 pm - friends only
pois é, tempo de mudanças!

em primeiro lugar, aos que já liam:
não sei se alguém fora da lista leria, de qualquer modo, a razão para tornar isto friends only não se prende com esse facto.
é só porque além do relato dos dias, escrevo também muitas opiniões pessoas, e opinões sobre outras pessoas e até professores. e se um desconhecido ler não me faz muita impressão, o professor que até me vai avaliar.. sim. e acho que facilmente se pode chegar aqui através de uma simples pesquisa no google. e se de fora não é assim tão simples descobrir quem sou, quem conheça alguma coisa, facilmente identifica! simplesmente por isso, vai ficar friends only – para o caso de alguém cá vir parar, não poder ler coisas que não me interessa que leiam.
no entanto, se alguém tiver desejo de ler, não me importo nada de adicionar, é só comentar :)

para quem não lia… bom, basicamente sou aluna do curso de medicina e desde o início deste ano lectivo que aqui relato os meus estágios. o que faço cada dia, em cada estágio, que coisas vi ou fiz (nunca identificando ninguém, claro!). é basicamente um [relato] diário como outro qualquer, tirando que o meu dia é passado em hospitais – que variam frequentemente, bem como a matéria que estou a aprender no momento.
tendo a ser muito descritiva, e como normalmente não tenho tempo para vir diariamente relatar, acabo por fazer posts com muita coisinha.
como já disse lá em cima, não me importo de adicionar quem quiser, pelo que se houver vontade, é só comentar!

Advertisement

Customize
This page was loaded Dec 10th 2009, 2:12 am GMT.