Como agora vou falar mais sobre isso, acho que convém uma introdução. (ou reintrodução, que já falei disso mais vezes.. :x)
Ora portanto, no final do sexto ano (por esta altura do ano que vem), vou ter que fazer um exame, que é o exame de acesso à especialidade. Quem lê a farruskita já se apercebeu de algumas coisas. Do exame já falo mais, mas continuando, depois disso, e de acordo com a minha nota da faculdade, escolho um hospital para fazer o ano comum – em que tenho basicamente os mesmos estágios que no sexto ano, mas já recebo (ah pois!), já sou médica e não estou a ser avaliada – é mesmo para ganharmos prática clínica. No final do ano comum, escolherei a especialidade – de acordo com a nota do exame de acesso à especialidade (e a nota da faculdade é para desempates). Assim, a nota mais alta escolhe primeiro, de acordo com as vagas desse ano: e escolhe uma especialidade num determinado serviço, num determinado hospital. Ou seja, para além da nota do exame, interessa também as vagas desse ano. As deste ano, por exemplo, saíram a semana passada, e houve muitas queixas, um predomínio a norte, muitas especialidades que abrem sempre imensas vagas, este ano quase não abriram, ou abriram quase só a norte, enfim. Habitualmente há para aí 1200 ou assim a escolher cada ano, e há especialidades que podem até nem abrir vaga, ou abrir duas ou três a nível nacional. A grande maioria de qualquer modo abre umas 10 a 20 – depois há as mais gerais que abrem sempre imensas vagas (clínica geral, medicina interna, cirurgia geral). E portanto, para além do mapa de vagas, para além da nota, também precisamos que o resto das 1000 pessoas não tenha um gosto estranho pela mesma especialidade que nós. Depois há claro quem escolha a especialidade independentemente do sítio do pais, outros que querem ficar numa zona independentemente da especialidade, outros que escolhem mais é o hospital, enfim.
Quanto ao exame em si, tem 100 perguntas de escolha multipla, sendo 20 de cada um dos temas: aparelho circulatório, hematologia, pneumologia, gastroenterologia e nefrologia, sendo dado como referencia bibliográfica um livro (o harrison). Ou seja, não há capítulos específicos, há temas – portanto se na página tal falar de coisa tal do tema que eles querem, é legitimo perguntar, embora obviamente ninguém vá ler o livro todo à procura dessas determinadas páginas! Para além disso, não sendo dados temas, a escolha do que estudar pode variar um pouco. E estudando todas os capítulos que estão relacionados com os temas, o que se vê muitas vezes é que acabam por se contradizer a si próprios.
Eu tenho ali 1001 páginas (mesmo!), e acho que ainda vou imprimir (já que não há na reprografia) mais dois capítulos que me parecem adequados. Portanto, dessas 1001 páginas, podem perguntar qualquer coisa, inclusive dados de um gráfico ou coisas assim. E obviamente, sendo tantos temas e tão extensos, e não havendo uma matéria especifica é muito complicado conseguirmo-nos lembrar de todas (lol) as coisas. Claro que depois há temas mais perguntados – mas por exemplo este ano perguntaram coisas que não perguntavam há quase dez anos. E nos outros anos tem havido muita confusão porque há sempre perguntas repetidas, muitas vezes até perguntas erradas que tinham sido anuladas em anos anteriores… Este ano mudou o júri, portanto essa parte parece ter melhorado.
Para além disso tudo, a escolha múltipla é horrível – e só pode gostar ou quem não tem prática ou quem tem uma capacidade extraordinária. Obviamente que após tantos meses e tanta matéria, uma pessoa chega ao dia cansada, e ansiosa. Começa a ler e tudo fica confuso. E depois em muitas perguntas não é escolha a certa ou escolha a errada, e sim ‘escolha a mais correcta’. Ou seja, acaba por não ser inteiramente objectivo, e para além disso temos que nós lembrar de todas as opções para podermos analisar de entre todas aquela que é mais vezes correcta, ou o que está mais correcta ou tem menos coisas a faltarem, etc. grande treta, hein? Para além disso se nos lembramos de ver duas coisas que se contradizem, então…!
Obviamente, para tanta matéria, o estudo tem que começar muito antes, e tem que se rever as coisas algumas vezes. O estudo deve portanto começar cedo. Algumas pessoas já começaram a estudar para o ano. Eu estou a pensar começar em Dezembro – já ando a organizar a vida e a despachar as coisas deste estágio para o conseguir, se for agrupando assim, pode ser que mesmo em tempo de aulas dê para estudar decentemente (sim, porque se tiver mais estágios como cirurgia, não há mesmo hipótese!). Claro que depois quando as ‘férias’ chegarem é que vou ter tempo para me concentrar efectivamente.
Sendo tanta coisa, mas tantos detalhes, obviamente daqui a um ano não me vou lembrar do que estou a ver agora. O geral há-de ir ficando, mas os detalhes que são o perguntado em exame, só aqueles que vir na véspera (vá, um mês antes), é que têm hipóteses de serem lembrados. Considero então que até lá é para ir sabendo o geral, mas essencialmente para preparar as coisas para uma revisão eficaz. Para isso acho que tem que ser um estudo muito organizado e bem definido! O que não é o meu habitual :P mas acho que é fundamental preparar o terreno. Não tenho grandes ilusões acerca do que o estudo vai ser, sei que vou reler milhentas vezes o mesmo sem me lembrar que já o li, e sei que na altura que importa já vou estar demasiado estafada para me lembrar de alguma coisa, e para me conseguir concentrar (e sei o meu limite, e sei que com tantos bancos e trabalhos e sei lá mais o quê, se torna muito complicado).
Quero então ter um plano, quero fazer as contas para poder ir descansando também.
Agora já peguei nas coisas, estive a ver o que tenho e o que não tenho, fiz umas tabelas em Word com todos os capítulos que tenho, a ordem pela qual os tenho, e com espaço para preencher com o número de perguntas feitas em anos anteriores, etc. Basicamente para me organizar e ir preparando terreno.
E pronto, a partir de agora, devo ir falando um pouco mais sobre isto ;) já sabem do que falo quando falo do exame :P